PASTOREIO É CORTE E COSTURA
- Lucas Anunciação

- há 5 horas
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Estava relembrando as vezes em que acompanhei minha mãe em um curso de corte e costura, que também era uma estratégia evangelística da Igreja, recordo que todas as vezes que a turma se reunia era comum ouvir a canção do Hinário Batista, Felicidade no Serviço 410CC.

Em meio àqueles dias, vi tecidos sendo transformados em belas roupas. Vi as aprendizes de costureira repararem e prepararem bainhas e outros ajustes de corte e costura.
E isso me trouxe uma bela ilustração sobre o pastoreio.
O pastor também precisa dominar a arte de corte e costura, mas não com tecidos, e sim com pessoas. A agulha que perfura é também aquela que leva a linha para costurar relacionamentos, conduzindo a igreja à unidade de entendimento.
Há líderes que, embora tenham agulha e linha, não sabem costurar. Não sabem formar um novo líder, um novo ministério ou projeto. Usam a mesma roupa até não poder mais. Isso não é sobre moda, mas sobre o trabalho artesanal do pastoreio.
A costura depende de um processo. Primeiro se risca o esboço, como com giz. Marcações são feitas, um molde é elaborado. Não se corta em qualquer lugar. Há uma visão intencional do que se quer fazer. Com todos os instrumentos disponíveis, o obreiro precisa alinhavar, medir, provar, até o preparo final.
Os pastores não improvisam mas oram, medem (discernimento), lideram e administram.
Algumas vezes isso se dará com uma única pessoa, instruída, exortada e direcionada em amor. Em um único encontro pode haver corte e costura. Em outras vezes, a única solução será o corte. Sem limites, não haverá uma boa costura. Precisamos, com mãos firmes e ao mesmo tempo delicadas, realizar esse trabalho amoroso e cuidadoso.
Embora minha mãe fizesse pequenos trabalhos de corte e costura, ela também contava com duas costureiras da família para trabalhos mais complexos. Essas irmãs eram tão hábeis e ágeis que conseguiam atender muitas pessoas com excelência. Durante minha infância e adolescência, elas foram nossas costureiras.
O nome de uma delas era muito sugestivo, e eu adorava ir à casa dela para escorregar no gramadinho perto da cerca. Dona Glória. Ela era nossa irmã em Cristo, e devo dizer que fazia jus ao nome. Tão carinhosa, era também uma conselheira espiritual.
Pastores precisam de especialistas também. Podem conversar com amigos que costuram há mais tempo e melhor. Podem e devem aprender. Às vezes, os pastores também precisam de bainha.
Acima de tudo, precisam da Glória de Deus para fazer bem o trabalho do Senhor.
Muitas vezes eu não compreendia nem mesmo o desenho do esboço da costura da minha mãe. Mas quando via a peça alinhavada, eu desejava que fosse logo finalizada para que eu pudesse usar.
Pastor, algumas vezes você não será compreendido, mas faça o trabalho corajosamente, em amor. Corte, costure, alinhave, mostre novamente, até que se torne desejável e esteja pronto.
Estou certo de que, se as suas mãos forem instruídas pela Glória, haverá grande admiração pelo trabalho que, ao final, trouxe cobertura, beleza e proteção àqueles de quem você cuida.
Dorcas, segundo a Palavra de Deus em Atos 9:36-42, fazia roupas para ajudar os mais necessitados. Essa dimensão me faz lembrar o que experimentei naqueles dias de obra social da igreja. Fui vestido com roupas que minha mãe aprendeu a fazer naquelas aulas, e também fui costurado ao meu chamado, ao ver um pastor feliz no serviço e habilidoso costurando o crescimento da igreja.
Trabalhe nesse sentido, pastor.




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